Estamos diariamente enfrentando diferentes situações em diversos contextos da vida. Através de cada uma delas, se estamos atentos, podemos crescer no conhecimento de nós mesmos e dos que participam e interagem conosco.
Quero falar sobre atitudes que têm sido negligenciadas.
Quero falar sobre bondade, cordialidade e respeito.
Boáz nos ensina um pouco sobre esses aspectos quando revela atitudes de respeito, cordialidade e bondade para com seus empregados e para com Rute.
Num dia comum, Boáz dirigiu-se à sua plantação com o objetivo de supervisionar a colheita e afetuosamente ao encontrar-se com seus empregados lhes dirigiu as primeiras boas palavras:
– "Que o Senhor esteja com vocês!"
Como seria bom iniciarmos o dia recebendo uma palavra agradável ou mesmo sendo portadores dela.
Já estive em muitos locais onde as pessoas, ao chegarem, nem mesmo dizem "bom dia", ao contrário, entram carrancudas e como ostras fechadas pemanecem dentro desse interior intocável.
Não foi o caso de Boáz, este, imagino chegou sorrindo, com o coração alegre e muito boas intenções, o que lhe proporcionou sensibilidade para notar que no ambiente em que se encontrava estava presente uma mulher diferente. Foi por isso que perguntou:
-Quem é ela?
Soube então que era a moabita que veio de Moabe com Noemi. E que havia pedido que a deixasse ir atrás dos trabalhadores, catando as espigas que fossem caindo.
Boás não a ignorou.
Não a julgou.
Não a interpelou.
Não a subestimou, mas lhe disse:
– Escute, minha filha. Não vá catar espigas em nenhuma outra plantação. Fique aqui e trabalhe perto das minhas empregadas. Preste atenção e fique com elas no campo onde vão cortar espigas. Eu dei ordem aos empregados para não mexerem com você. Quando ficar com sede, beba da água que os empregados tirarem para beber.
Boáz já tinha ouvido falar daquela mulher, e sensivelmente revelou seu cuidado. Não sabia o por que, mas precisava cuidar daquela mulher.
Estamos em dias tais que as pessoas já não tem mais sensibilidade para diferenciar uns dos outros. Tenho observado que a maior perda tem sido a da sensibilidade.
As pessoas estão se tratando de forma assustadora. Olham para todos como canalizadores de seu próprio sucesso. Não observam as particularidades do outro e por esta razão ferem e são feridos e na produção das próprias cicatrizes, cada vez mais grossas, se escondem a cordialidade e o respeito inascessíveis.
Estamos presenciando pastores que desrespeitam seus discípulos, e os desmerecem, como se tivessem atingido a estatura de querubins;
Vemos homens de Deus que tratam seus colegas ministeriais com indelicadeza e desrespeito, por sentirem-se pequenos deuses;
Assistimos à conferências plenárias transmitidas por televisão onde não há ordem e decoro mostrando a brutalidade existente na alma dos participantes que sendo Ilmos Senhores se estapeiam indistintamente.
Combatemos os profissionais concorrentes para a obtenção dos décimos de migalhas que não nos sustentarão dignamente.
A cordialidade, o respeito e a sensibilidade humana estão esvaindo.
Cordialidade, respeito e sensibilidade nada têm a ver com gentileza, porque encontramos muitas pessoas gentis quando lhes interessa, mas sem respeito, cordialidade e sensibilidade alguma pelo outro como indivíduo.
Cordialidade diz respeito a um estado do coração. A cordialidade é transmitida por meio de atitudes e ações afáveis que só se expressam quando brotam de uma alma sã.
Boáz era afável. Viu a mulher carinhosamente e procurou cuidar de seus interesses com respeito, preservando-a até mesmo de possíveis situações desagradáveis.
Hoje não temos visto isso. Na verdade o que presenciamos é a hipocresia em risos de Um que usa todos para seu próprio benefício.
Que Deus nos ajude...
Boáz revelou no olhar e na postura o coração de um homem que enxergava além das circunstâncias. Além de seus próprios interesses. Boáz reparou em Rute.
Ouviu falar dela e do que já havia feito pela sogra desde que o marido morreu. Ouviu que Rute havia deixado seu pai, sua mãe e sua pátria para viver com gente desconhecida. Observou-a e se deu bem!
Seria maravilhoso se nossos olhos fossem como os de Boáz.
Seria maravilhoso se fossemos pessoas sensíveis que pudessem ver além do véu do tempo.
A bondade e cordialidade de Boáz fez com que Rute trabalhasse para ele como sua empregada até terminar a colheita da cevada e do trigo e para surpresa de Boáz, Deus lhe concedeu Rute como esposa. (Rt 4.13)
Algumas pessoas marcam e se destacam. Foi o caso de Rute.
Se Boáz não tivesse tido sensibilidade, cordialidade e respeito por aquela mulher no momento em que as portas de sua vida estavam se abrindo, talvez ele não tivesse constado na genealogia de Jesus. "...Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede..." (Mt 1.5).
Precisamos estar mais antenados a todas as coisas que nos cercam.
O orgulho de muitos e suas próprias arrogâncias não permitem que enxerguem o outro senão a eles mesmos.
Que o Senhor nos recompense por tudo o que fazemos e nos faça ver através de seus olhos, nos dando acima de tudo um coração cordial.
Na dificuldade de encontrarmos alguns "Boáz" em nossos dias, que tenhamos bom ânimo para sermos bons apesar de tudo.
Que nossas palavras de bondade nos habilitem e nosso olhar anuncie o que devemos ver e não o que queremos ver.
Pra Graça de Oliveira

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